Por: Ester Luiza
A história começou no final da década de 1980, quando Depp, ao deixar uma fracassada carreira de rockstar, resolveu seguir o conselho de Nicolas Cage e tentar a sorte em Hollywood. A primeira janela para a fama veio através da série Anjos da Lei (21 Jump Street), no papel de um policial que trabalhava disfarçado de adolescente em um colégio. Depp detestava o programa - chegou a acusá-lo de fascista - e, no cinema, só conseguiu papéis secundários em Platoon e A Hora do Pesadelo. A grande virada aconteceu com Cry Baby, do polêmico cineasta John Waters, e, principalmente, com Edward Mãos de Tesoura, ambos de 1990.
A conexão foi imediata. Depp encontrou Burton em um hotel de Los Angeles já completamente apaixonado pelo personagem, uma espécie de Pinóquio criado por um recluso cientista (Vincent Price, em um dos seus últimos trabalhos) que, apesar da aparência humana - pele muito branca e cabelos desgrenhados, como o diretor - tinha um único defeito: lâminas afiadas no lugar de mãos. "Aquele papel não era uma estratégia de carreira. Era a liberdade. Liberdade para criar, experimentar, aprender e exorcizar algo em mim", lembrou Depp anos depois.
Filmes:
- Edward Mãos-de-Tesoura (1990);
- Ed Wood (1994);
- A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça (1999);
- A Noiva Cadáver - Voz (2005);
- A Fantástica Fábrica de Chocolate (2005);
- Sweeney Todd (2007).
- Alice no país das Maravilhas (2010)
Burton insiste que a participação do amigo sempre depende do papel e que a surpresa é a melhor parte da parceria. "Você quer ter certeza que as coisas continuam no mesmo nível, ou até melhores. É sempre empolgante ver o que ele acrescenta. E é divertido trabalhar com Johnny porque é como se sempre vai haver algo diferente e novo." Para Depp, tudo é bem mais claro - a confiança no diretor é irrestrita e absoluta, tanto que ele nem sabia que ia interpretar o Chapeleiro Maluco em Alice: aceitou entrar no filme totalmente no escuro. "Por mim, poderia ter sido até Alice", ele afirma. "Confiança é a chave de tudo. Sei com certeza que Tim confia em mim, o que é uma benção maravilhosa, mas isso não quer dizer que eu não fique sempre paralisado pelo medo de decepcioná-lo."

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